terça-feira, 7 de outubro de 2008

Um grito contra a injustiça!

Dia 18 de Setembro deste ano, estive no CENSOPEF (Centro Social Petronilha Eugenia Figueiredo) mantido pela PIB em Centenário, Duque de Caxias - RJ.
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Tratava-se de um encontro com algumas lideranças locais e nacionais. Lá estavam presentes pastores de igrejas batistas, de igrejas Assembléia de Deus, um padre da Igreja Católica das redondezas, algumas pessoas da Visão Mundial, pessoas do ISER, moradores da região, pessoas envolvidas com o trabalho do Centro Social, e até mesmo crianças beneficiadas pelo trabalho social ali realizado.

O encontro foi realizado como uma forma de grito lançado pelo pastor Marcos, pastor da PIB em Centenário, contra a injustiça. Em Agosto, vários jovens envolvidos com o tráfico foram mortos pela polícia. Quase não foi notificado na mídia.

A mídia e a sociedade legitimam essas mortes pelo fato daqueles jovens estarem envolvidos no tráfico. Leandro tinha 17 anos, chegou a participar da PIB em Centenário, e morreu 8 meses depois de entrar para o tráfico.

Os cristãos não podem legitimar a morte de ninguém. Nem de um jovem que se envolve no crime.

No evento, o pastor Ariovaldo Ramos (Visão Mundial) lembrou-nos de que é preciso:

“ ...rever o conceito de progresso no Brasil. O progresso não pode ser medido em números. O progresso tem que ser medido em transformação social e em dignidade humana.”

Comentou ainda que geralmente quem assume o poder no Brasil, não assume o serviço e isto não pode mais ser tolerado.

A seguir um trecho do e-mail do Pastor Marcos (PIB em Centenário) falando da tragédia ocorrida:


"...a "chapa-ficou-quente" em Centenário. Intenso tiroteio na região conhecida como Lagoinha, Santuário, Morro do Sapo. Tudo na Vila Centenário.

Os 10 mortos faziam parte de nossa comunidade. Entre eles um que até ano passado estava como membro de nossa Igreja. Em meu último aconselhamento com ele, disse-lhe que sua escolha estava errada, mas que Deus e eu o amaria sempre. Disse a ele: Te amarei até na hora que precisar fazer seu Culto Fúnebre. Sua escolha não é de vida, mas de morte.

Fato é que ele foi alvejado e morto naquela operação policial. Entre os 16 corpos (10 do Centenário e 6 do Capivari) que estavam no IML o dele era o mais inteiro. Uma bala de metralhadora do coração. Um "rombo" naquele corpo, um "rombo" no nosso coração.

Levamos o corpo do nosso Leandro Rodrigues Gomes, 17 anos, para o Culto que aconteceu na sede do nosso Centro Social..."


Realmente, é muito difícil pedir para um indivíduo ou para um grupo de pessoas levantar a voz contra o poder das armas, do tráfico, da polícia, das milícias, dos coronéis. Diante da violência que podemos fazer? Como mudar essa realidade que se repete constantemente no Rio de Janeiro?

4 comentários:

André Decotelli disse...

É um absurdo mano...talvez agora que a violencia do Rio chegou em nossas igrejas nos envolvemos na luta contra ela...tomara que não seja tarde demais...

André Decotelli disse...

É um absurdo mano...talvez agora que a violencia do Rio chegou em nossas igrejas nos envolvemos na luta contra ela...tomara que não seja tarde demais...

patrícia disse...

caraca, que muito importante seu blog. o.o

Marcos disse...

Isso já vem acontecendo a muito tempo, a igreja ou melhor nós, devemos entender, e acreditar que essa situação pode mudar e pra melhor.
Trabalho social em lugares carentes dá resultado.
Palavras de paz em lugar fortemente armado, traz resultados.
Reforço escolar, traz resultados.
Excursões para lugares diferentes dá resultado.
Casamento comunitário, dá resultado.
EBF, dá resultado.
Pra conhecer precisamos entrar, precisamos bater a porta tendo o que oferecer.
Se Jesus, que é Jesus, bate a porta. Porque nós não fazemos o mesmo?
Precisamos sair para pregar, pregar de forma inteligente e coerente, não é falar da multiplicação de pães sem levar um lanchinho pra depois da pregação, não é dar novos testamentos e não explicar o que está escrito, veja o exemplo de Felipe correndo atrás da carrogem do Etíope (Romanos 8:26-40).
Difícil uma favela fechar as suas portas para um trabalho assim.
Um trabalho desse edifica velhos crentes (nós); crentes mais fortes, mais unidos, mais cúmplices, mais vivos e mais experientes.
Um trabalho desse edifica novos crentes; mais amados, menos apartados, com horizontes mas abertos, com mais oportunidades. Quanto mais opções estas pessoas tiverem menor será a chance do tráfico ou da bandidagem.
Taí um trabalho que terá condições de gerar mudanças.
Até aqui no ajudou o Senhor,
Pet.