quinta-feira, 9 de maio de 2013

Educação e Religião: uma aula do Professor Renato

Muito interessante a fala do Prof. Dr. Renato Noguera (UFRRJ) sobre Educação, Pensamento e Religião, defendendo um ensino não confessional, mas interreligioso. Ele o faz não simplesmente a partir da ideia de laicidade, mas defende uma perspectiva pluriversal e polirracional. Vejam o vídeo e vocês vão entender.


domingo, 5 de maio de 2013

Juventude Batista Brasileira segue levantando a voz por justiça


No último dia 1º de Maio, Dia do Trabalhador, a Juventude Batista Brasileira lançou Manifesto (Manifesto da Juventude Batista Brasileira para os Direitos da Juventude ao Trabalho Decente) no site do CONJUVE.

No Manifesto, além de 12 reivindicações concretas em termos de direitos para as juventudes, faz-se um link muito interessante com elementos da fé cristã. Leia um trecho:
Jesus Cristo, filho de carpinteiro, valorizava os trabalhadores, tanto é que seus discípulos eram todos trabalhadores: pescadores, funcionários públicos, fazedores de tendas, entre outros. Essa é uma questão essencial: trabalho decente e bem remunerado a juventude.
Que nesse 1º de Maio, Dia Internacional do Trabalho, nós possamos, como juventude, defender as leis já conquistadas e caminhar para outras proposições que garantam direitos sólidos a todos os jovens trabalhadores do Brasil. É do Apóstolo João a seguinte afirmação: “Jovens, eu vos escrevi, porque sois forte, e a Palavra de deus permanece em vós e já vencestes o Mal.” 1Jo 2.14

O Manifesto completo você lê aqui.

Outro documento muito importante da Juventude Batista Brasileira, que podemos enxergar como um marco na história recente desse grupo denominacional é a Carta de Rio Bonito (2009). Já publicada aqui no blog.

Tenho fé que as juventudes denominacionais e os jovens membros das mais diferentes igrejas vão se envolver cada vez mais na luta por justiça e por uma sociedade melhor para todos e todas!

quarta-feira, 24 de abril de 2013

"a luta por direitos humanos é a essência da nova luta de classes hoje"

Gostei bastante do trecho da entrevista com Marcelo Freixo (Deputado Estadual pelo PSOL-RJ) disponibilizado no site da Revista Fórum. A entrevista integral está disponível apenas nas bancas.

A fala de Freixo trata, em determinado momento, diretamente do genocídio da juventude negra e pobre. Vale a pena lê-la, até mesmo para fazer um uso de sua fala numa AGENDA de enfrentamento dessa violência contra os jovens.

Do trecho disponível, destaquei a seguinte passagem, que me soou bastante interessante para disparar uma reflexão em torno dessa disputa em torno do que é o humano hoje (questão para um outro momento):

"A polícia entra na favela e cinco pessoas morrem, isso cria uma grande comoção? Não. Porque, na nossa cabeça, essas pessoas já foram julgadas, julgadas pelo nosso medo. “Polícia entra na USP e mata cinco”. Toda a imprensa vai para lá. Que merda é essa? A dignidade tem endereço, a decência humana tem endereço, é de classe. Por isso, a luta por direitos humanos é a essência da nova luta de classes hoje. Porque não está na relação capital e trabalho, está entre quem é humano e quem não é. Quando um sujeito diz: “Direitos humanos para humanos direitos” é porque ele está dizendo que existe uma categoria que não é humana. Há uma busca de legitimidade do extermínio, seja físico ou moral." 

Por ora fico com o seguinte.
Acredito que a afirmação "a luta por direitos humanos é a essência da nova luta de classes hoje", dentro do contexto apontado por Freixo em outros momentos da entrevista em que ele coloca de forma mais explícita a relação entre cor/raça/etnia e classe, nos permite pensar essas outras dimensões da vida que atravessam a "luta de classes" hoje. 

Por um lado, é preciso pensar recortes de gênero, raça e orientação sexual dentro da questão de classe. Por outro, é preciso pensar dentro das questões de gênero, raça e orientação sexual, as questões de classe.

Sem esses atravessamentos aí sim corremos o risco de cair no que a "esquerda tradicional" chama (ou chamou) de "fragmentação" da luta, de pulverização de "microlutas". Para a "esquerda tradicional", estas lutas específicas não conseguiriam mexer com relações ainda fundamentais ligadas ao funcionamento da sociedade capitalista, ao acúmulo e à circulação do capital. Questões a se pensar... [Aqui, tentei refletir um pouco sobre a especificidade das lutas, mas já desenvolvi essa reflexão um pouco desde então...]


Em suma, acredito nas microlutas e também no seu possível atravessamento com essas questões "macro" do capital. Vejo nesse "agenciamento" a grande potência das novas lutas de hoje!

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Paz armada? (estudo bíblico)


Estudo Bíblico elaborado em 2009 por Pedro Grabois

PAZ ARMADA?
(estudo bíblico participativo)
Há várias formas de se estudar os textos bíblicos. Uma delas é uma aproximação temática. O estudo de hoje foca na questão da paz. Há diversas maneiras de tratá-la: como algo relativo ao interior do indivíduo, como algo construído socialmente, como algo promovido por instituições; alguns vêem a paz como a ausência de guerra, etc. Afinal, o que entendemos por paz? O que os textos bíblicos falam sobre a paz?

O foco de hoje é na paz a partir do Sermão do Monte

Mateus 5: 9: “Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus.”
1. Se levarmos em conta todo este trecho do início do Sermão do Monte, que fala das Bem-aventuranças, poderemos perceber como a paz se insere num contexto maior. Qual a importância de pensar a paz a partir de um contexto determinado? Diante desse contexto como fica a idéia de “promoção da paz” relacionada à de ser chamado “filho de Deus”?
2. Sabemos que o livro do profeta Isaías influenciou bastante a escrita dos Evangelhos. A presença do pensamento de Isaías no Sermão do Monte também é bastante notável. Em Isaías 32: 17 lê-se: “O fruto da justiça será a paz, e a obra da justiça consistirá na tranqüilidade e na segurança para sempre.” Como você entende essa relação entre paz e justiça? Ela também está presente nas palavras de Jesus, no Sermão do Monte?
3. No Evangelho de João, Jesus diz “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se perturbe nem se intimide vosso coração.” (João 14: 27) e na Carta de Paulo aos Filipenses este escreve “E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o coração e a mente de vocês em Cristo Jesus.”(Filipenses 4: 7). Aqui a paz parece ser vista de uma outra forma. Como você a vê nestas duas novas passagens? E como esta paz aqui se relaciona com a paz evocada no Sermão do Monte?

MINHA ALMA (O Rappa)
A minha alma tá armada e apontada
Para a cara do sossego!
(Sêgo! Sêgo! Sêgo! Sêgo!)
Pois paz sem voz, paz sem voz
Não é paz, é medo!
(Medo! Medo! Medo! Medo!)
As vezes eu falo com a vida,
As vezes é ela quem diz:
"Qual a paz que eu não quero conservar,
Prá tentar ser feliz?"

As grades do condomínio
São prá trazer proteção
Mas também trazem a dúvida
Se é você que tá nessa prisão
Me abrace e me dê um beijo,
Faça um filho comigo!
Mas não me deixe sentar na poltrona
No dia de domingo, domingo!

Procurando novas drogas de aluguel
Neste vídeo coagido...
É pela paz que eu não quero seguir admitido

É pela paz que eu não quero seguir
É pela paz que eu não quero seguir
É pela paz que eu não quero seguir admitido

4. A letra da música faz uma crítica a um tipo de paz que é no fundo uma falsa paz. Também se fala muito de paz em contraposição à guerra. Como saber discernir a falsa paz da verdadeira paz, na sociedade de hoje, e se engajar em promover a paz, da qual o Sermão do Monte fala?