terça-feira, 21 de abril de 2009

Tem que ser humilde

Conheci Lindomar 3L (www.lindomar3l.com.br) ano passado na S8-Rio (www.s8rio.com). O cara é um artista mesmo, rapper de Uberaba-MG, tematiza um monte de coisas do cotidiano e da vida em geral: fala de Deus, amizade, amor, sociedade, toca direto na questão da injustiça social. Vale a pena ouvir o som do cara e se ligar na letra.



TEM QUE SER HUMILDE: uma das músicas que compõem o seu álbum "Das ruas mineiras"

sábado, 18 de abril de 2009

Juventude Batista levantando a voz pela Justiça

CARTA DE RIO BONITO

Nós, jovens batistas do Estado do Rio de Janeiro, reunidos no Congresso Juventude Ativa, na cidade de Rio Bonito-RJ, no dias 09-12 de Abril de 2009, nos manifestamos sobre a realidade social do nosso país.
Entendemos que a situação de injustiça social, pobreza, fome, desigualdades (raça, gênero, econômica etc.) corrupção, ofendem o caráter de nosso Deus - Justo, Santo, Salvador e Libertador – conforme revelado em sua Palavra (A Bíblia).
Compreendemos que a vida e mensagem de nosso mestre e Senhor Jesus Cristo, que pregou e manifestou o Reino de Deus, foi revolucionária nos sentidos espiritual, moral e social. É em nome dEle e de Seu Reino que falamos.

A) REPUDIAMOS:

 A desigualdade social marcante no Brasil, porque fere os princípios do reino de Deus;
 A omissão da igreja de Cristo frente às necessidades sociais do país e a religiosidade vã
e estéril desenvolvida em quatro paredes, que leva ao não desenvolvimento de projetos que
visem mudar a realidade social ao redor da igreja local;
 Toda espécie de corrupção e falsidade nas relações sociais, sobretudo no campo político.
 As formas de exploração do ser humano como trabalho infantil e trabalho escravo.
Também as condições de trabalho e renda que não garantem ao cidadão o sustento
familiar, o direito ao lazer e às condições básicas de saúde;
 Todas as formas de preconceito e discriminação social, cultural, racial, econômica e de gênero.
 As diversas manifestações da violência praticadas em nossa sociedade: Física, sexual, psicológica, contra qualquer grupo populacional, sobretudo mulheres, crianças, adolescentes e idosos. Também a utilização de menores no tráfico de drogas;
 A destruição do nosso planeta e o mau uso dos nossos recursos naturais engendrados por forças produtivas estrangeiras e nacionais, que comprometem a vida da atual e das futuras gerações;
 A não efetividade dos direitos sociais garantidos na Constituição Federal Brasileira;
 O escândalo da presença da fome num país de grandes riquezas naturais (Terras produtivas e farta condições de produção e distribuição de alimentos);
 A banalização da vida e insensibilidade em relação à morte, principalmente as previsíveis e evitáveis;
 O individualismo que acaba por alienar as pessoas frente às necessidades alheias e coloca em segundo plano o interesse coletivo;
 O evangelho interpretado e pregado como oferta de prosperidade, que não reflete a Justiça do Reino de Deus, alienando pessoas;
 A desvalorização da instituição família.

B) NOS COMPROMETEMOS A:

 Orar constantemente pela situação social de nosso país, pelas autoridades civis assim como pela liderança eclesiástica;
 Contagiar cada vez mais jovens a exercer a justiça social, utilizando nossas organizações de juventudes (JUBAS) locais e regionais como mobilizadoras de ações sociais nas cidades;
 Estarmos atentos às questões sociais e não ficarmos em silêncio - “O que me incomoda não é o grito dos maus e sim o silêncio dos cristãos”. (Parafraseando M. Luther King Jr.)
 Doar nossas vidas em prol do bem-estar social, físico, emocional e espiritual de nossos semelhantes a exemplo de Jesus Cristo, nosso senhor e mestre, cuja vida entregou por todos os seres humanos;
 Preservar o meio ambiente de todas as formas possíveis;
 Buscar o bem comum ao invés de nossos próprios interesses em primeiro lugar; amando o próximo de forma prática. “Não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade” (I Jo 3.18)
 Incentivar nossas igrejas a se aproximarem de suas comunidades locais, prestando serviço através de diálogos com instituições de saúde, educação, defesa de direitos etc.
 A não sermos omissos, nem negligentes com o cumprimento de nossos direitos e deveres estabelecidos em lei;
 Sermos promotores da paz e da não violência onde estivermos;
 Identificar necessidades e demandas das comunidades em que vivemos e criar estratégias visando ao atendimento das mesmas;
 Buscar conscientizar pessoas, na igreja e comunidade local, sobre os problemas sociais através da realização de fóruns, debates e palestras sobre temáticas sociais;
 Sermos sempre éticos e verdadeiros nas nossas relações pessoais, familiares e profissionais;
 Lutar por manter esse compromisso que nasceu no congresso Juventude Ativa 2009.

SOMOS FILHOS DE DEUS! JOVENS QUE AMAM A JESUS E VAMOS LUTAR, ONDE ESTIVERMOS, POR PAZ, JUSTIÇA E VIDA.

“Pois o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas JUSTIÇA, PAZ e ALEGRIA no Espírito Santo!” (Rm 14.17)

Essa carta foi elaborada conjuntamente pela liderança da JUBERJ e mais 80 líderes de Jovens que atuam em diversas igrejas Batistas do Estado do Rio de Janeiro.

Redação: Luís Henrique da Costa Leão, Pr.

terça-feira, 31 de março de 2009

Desenvolvimento Comunitário (III)

Marcel Camargo (CADI) – aula proferida em 20/03/2009

Marcel do CADI, em uma de suas aulas sempre bem humoradas.
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TIPOS DE AJUDA

[Referência a I Timóteo 5: 3-16 – aqui aparecem critérios específicos para ajudar alguém, dentro de um contexto também específico.]

1. Ajudando as pessoas a sobreviverem
- Definição: Assistência ou socorro emergencial
- Processo/Estratégia: Pré-avaliação, levantamento de recursos, suprimentos e distribuição.
- Resultado esperado: Suprimento das necessidades imediatas, sobrevivência.

2. Ajudando as pessoas a se tornarem melhores
- Definição: Reabilitação ou recuperação
- Processo/Estratégia: Treinamento de habilidades
- Resultado esperado: Retorno ao estágio inicial, reconstrução.

3. Ajudando as pessoas a agirem em seu próprio favor
- Definição: Desenvolvimento ou transformação
- Processo/Estratégia: Avaliação, discussão, detecção de necessidades, interação, facilitação envolvimento da comunidade
- Resultado esperado: Fortalecimento da comunidade, auto-gestão, auto-suficiência.

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> Podemos comparar o Evangelismo com a Assistência, e o Discipulado com o Desenvolvimento Comunitário.
> Nesta perspectiva, o desenvolvimento comunitário tem a ver com as intenções de Deus para a comunidade.
> O paradigma de curto prazo deve ser abandonado, se queremos transformações estruturais.

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PRINCÍPIOS DE DESENVOLVIMENTO COMUNITÁRIO

1. Visão integral do ser humano
- reconhecimento da realidade complexa do ser humano
- bio-psico-sócio-espiritual
- o esquema de Gênesis 1 [a existência do homem se dá em relação]
- a espiritualidade cristã responde ao homem todo
- a espiritualidade cristã incide sobre a vida da comunidade
- cuidado com a teologia da “isca” [é preciso rejeitar a visão que muitas vezes se tem nas igrejas de usar a prática da assistência/ação social para alcançar as pessoas para Jesus]
2. Visão equilibrada de intervenção
3. Identificação com a comunidade
[Filipenses 2: 5-8]
- Reconhecimento dos saberes locais: “Categorias nativas de classificação”
- Siga o exemplo de Cristo > Seja servo > Seja semelhante > Seja humano > Identifique-se
4. Ênfase nos relacionamentos
5. Participação da comunidade
6. Paternidade X Paternalismo
7. Trabalho preventivo
- Ações pontuais/emergenciais + Investimento em ações preventivas = Ampliação exponencial dos resultados de transformação comunitária.
8. Trabalho em equipe
[Gênesis 11: 1-6]
9. Começando com o que se tem
- O maior recurso da comunidade são as próprias pessoas.
- Toda comunidade, por mais precária que seja, tem muitas coisas boas que Deus já plantou ali.
- Tudo que começa grande, começa deformado.
10. Excelência
- é discreta, profunda, densa, radical.
- é focada no outro
- diferença fundamental entre excelência e perfeccionismo.

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IGREJA LOCAL COMO PARCEIRA NO PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO COMUNITÁRIO

- Igreja = mobilização
- Contextualização
- Cuidado pastoral
- Facilidade de fluir dos dons espirituais
- O púlpito como plataforma de transformação [o púlpito não é inimigo, o púlpito também é instrumento para a transformação]

Perigos:
Ø O projeto como um departamento da igreja
Ø Confusão na gestão
Ø Especificidades ministeriais diferentes (mas não concorrentes)
Ø Sodalidades (missões, ONGs, etc.) e modalidades (igreja local)

[Lucas 10: 25 - A justiça de Deus é mais ampla que o mero direito]

O conteúdo desta aula também é apresentado no livro O reino entre nós: transformação de comunidades pelo evangelho integral, de Maurício J. S. Cunha e Beth A. Wood, publicado pela Editora Ultimato.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Carta Aberta da Pastoral da Juventude Rural

"Nós, jovens camponesas e camponeses, participantes da VI Assembléia Nacional da Pastoral da Juventude Rural, vindos dos estados do Pará, Mato Grosso do Sul, Goiás, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Pernambuco, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, acolhidos no chão sagrado da Bahia de Antonio Conselheiro e dos lutadores de Canudos, somos sujeitos de uma ação pastoral que privilegia a vida digna no campo e transformação da sociedade, pautados no Evangelho de Jesus Cristo e na vivência das primeiras comunidades cristãs.
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Acreditamos que a vida na roça deve ser respeitada e construída cotidianamente como uma luta em favor da justiça e da paz, por isso declaramos que:
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Denunciamos o agronegócio e seu projeto de morte, que escraviza trabalhadores, destrói o meio ambiente, prioriza a exportação, fomenta a fome no Brasil produzindo commodities, reforça as relações de exploração e o atrasado latifúndio.
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Denunciamos também os aliados deste sinistro projeto: o Poder Judiciário, que fecha os olhos às desigualdades sociais, ousa fechar escolas itinerantes e criminalizar os pobres que se organizam; a Mídia, que confunde a opinião publica distorcendo fatos para legitimar a dominação das elites; o Estado Brasileiro, com suas políticas de financiamento do agronegócio e das transnacionais que saqueiam nossas riquezas.
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Ousamos resistir a essa ofensiva das elites, propondo nos organizar para enfrentar as raízes dos problemas sociais que afetam a juventude. Convocamos toda a sociedade brasileira a se por em marcha contra a violência estrutural, física e simbólica que atinge os/as jovens trabalhadores/as, pobres e negros/as deste país. Juntamente com as Pastorais da Juventude do Brasil estaremos atuando no nosso meio, em escolas, nas comunidades para enfrentar as políticas de extermínio do Estado e das Elites.
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Anunciamos juntamente com outras forças da Igreja e da Classe Trabalhadora, a construção de um Projeto Popular para o Brasil, que garanta vida digna a todos e todas, com uma Reforma Agrária ampla e massiva, com Políticas Agrícolas que priorizem a produção de alimentos para o povo brasileiro, com Políticas que enfrentem o desemprego e a desigualdade social.
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Como discípulos/missionários de Jesus, nos comprometemos em:
  • Trabalhar a importância da juventude e o seu protagonismo
  • Ajudar os jovens da roça para que assumam a Identidade Camponesa
  • Fortalecer nossa participação na Pastoral Orgânica
  • Contribuir na construção de um novo jeito de ser Igreja (articulando fé e vida)
  • Fortalecer a identidade e a caminhada da PJR Brasil
  • Contribuir na transição do modelo agrícola convencional implementando a agroecologia e a cooperação.
  • Participar da construção do Projeto Popular.
  • Despertar e cultivar a cultura camponesa.
  • Participar da construção e efetivação da Educação do Campo e no campo.
  • Assumir a questão de gênero
Jovens: há uma esperança para teu futuro. Engajemo-nos na construção de um outro mundo possível.
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Catu – BA, 29 de março de 2009."