No presente texto, trataremos brevemente da importância da perspectiva da Educação Inclusiva, com a qual tivemos contato direto a partir da disciplina Práticas Pedagógicas em Educação Inclusiva, cursada no período de 2008/2 na UERJ. Através desta disciplina fomos desafiados a pensar e repensar numa educação mais comprometida com a inclusão de todos. O acesso e a permanência de alunos com necessidades educativas especiais dentro da escola e da sociedade ficam, para nós, como os maiores desafios lançados por esta disciplina.
-
O conceito de Educação Inclusiva vai além do de Educação Especial. Esta última estava preocupada sim com a educação de pessoas com necessidades especiais, mas seus métodos eram ainda segregadores: separavam-se os alunos com algum tipo de necessidade especial dos que aparentemente não apresentavam nenhuma necessidade. A Educação Especial trouxe grandes avanços para a inclusão de pessoas com deficiências auditivas e visuais no Brasil: ainda no século XIX foram criados o INES e o Instituto Benjamin Constant, o primeiro para a educação de surdos e o segundo para a educação de cegos. Contudo, a perspectiva da Educação Inclusiva hoje pretende ir além dos métodos que separam e agrupam os alunos conforme suas deficiências ou capacidades. A Educação Inclusiva pretende incluir os alunos com deficiência no ensino regular, na sociedade, no mercado de trabalho, nas áreas de lazer, etc. A Declaração de Salamanca de 1994 foi um grande avanço neste sentido[1].
O conceito de Educação Inclusiva vai além do de Educação Especial. Esta última estava preocupada sim com a educação de pessoas com necessidades especiais, mas seus métodos eram ainda segregadores: separavam-se os alunos com algum tipo de necessidade especial dos que aparentemente não apresentavam nenhuma necessidade. A Educação Especial trouxe grandes avanços para a inclusão de pessoas com deficiências auditivas e visuais no Brasil: ainda no século XIX foram criados o INES e o Instituto Benjamin Constant, o primeiro para a educação de surdos e o segundo para a educação de cegos. Contudo, a perspectiva da Educação Inclusiva hoje pretende ir além dos métodos que separam e agrupam os alunos conforme suas deficiências ou capacidades. A Educação Inclusiva pretende incluir os alunos com deficiência no ensino regular, na sociedade, no mercado de trabalho, nas áreas de lazer, etc. A Declaração de Salamanca de 1994 foi um grande avanço neste sentido[1].
-
No contexto do ensino regular, surge então o desafio das adaptações curriculares, que são modificações de forma e conteúdo das aulas. Estas mudanças na abordagem são feitas pensando-se na participação e no melhor aproveitamento de um ou mais alunos que apresentem alguma necessidade educativa especial. No caso de um surdo, por exemplo, faz-se necessário um intérprete; no caso de um cego, é aconselhável o uso de materiais que possam ser tocados e ouvidos. Não podemos esquecer que esta proposta das adaptações curriculares dentro do ensino regular, trazida pela educação inclusiva, é um enorme desafio para uma sociedade como a nossa, que perpetua modelos de educação que estimulam sempre a competitividade entre os indivíduos, e não a solidariedade. Vemos como exemplo disto algo bastante comum em diversas escolas: o ranking de alunos, defendido pela idéia de que representa estímulo positivo aos estudantes. É freqüente também encontrarmos, nas mesmas escolas, turmas separadas e organizadas conforme o rendimento dos alunos: colocam-se os alunos “problemáticos” numa turma e os com notas elevadas em outra. Isto é a manutenção de um modelo segregacionista.
No contexto do ensino regular, surge então o desafio das adaptações curriculares, que são modificações de forma e conteúdo das aulas. Estas mudanças na abordagem são feitas pensando-se na participação e no melhor aproveitamento de um ou mais alunos que apresentem alguma necessidade educativa especial. No caso de um surdo, por exemplo, faz-se necessário um intérprete; no caso de um cego, é aconselhável o uso de materiais que possam ser tocados e ouvidos. Não podemos esquecer que esta proposta das adaptações curriculares dentro do ensino regular, trazida pela educação inclusiva, é um enorme desafio para uma sociedade como a nossa, que perpetua modelos de educação que estimulam sempre a competitividade entre os indivíduos, e não a solidariedade. Vemos como exemplo disto algo bastante comum em diversas escolas: o ranking de alunos, defendido pela idéia de que representa estímulo positivo aos estudantes. É freqüente também encontrarmos, nas mesmas escolas, turmas separadas e organizadas conforme o rendimento dos alunos: colocam-se os alunos “problemáticos” numa turma e os com notas elevadas em outra. Isto é a manutenção de um modelo segregacionista.
-
Vemos então como a educação é um espelho da sociedade em que vivemos e como esta sociedade é também reflexo da educação que recebemos, oferecemos e construímos. Deste modo, o debate da Educação Inclusiva está também atrelado a questões como o acesso aos meios de transporte para portadores de deficiência física. Quantos ônibus ou estações de trem e metrô estão adaptados hoje? Por que continuamos a ver as leis sendo descumpridas e pouco ou nada fazemos para que sejam obedecidas? Pensar numa educação inclusiva é também pensar numa cidade inclusiva e numa sociedade mais justa. O empoderamento das pessoas com necessidades especiais é um dos maiores desafios neste sentido e já há toda uma movimentação em torno das políticas públicas que visam a inclusão de pessoas com deficiência. A Educação Inclusiva nos leva a pensar nas diferenças sócio-econômicas entre os indivíduos, pois estas também representam formas distintas de se ter acesso a educação, a mercado de trabalho, a bens culturais, etc. O desafio da Educação Inclusiva não fica apenas na questão do acesso, mas exige também um compromisso com a garantia de permanência das pessoas com necessidades especiais nas instituições de ensino, de modo que tenham assim um real e efetivo aproveitamento dos saberes que estão sendo construídos. Também já se percebeu que na Educação Inclusiva não há espaço para a Educação Bancária, tão criticada por Paulo Freire. Deve-se então pensar num processo de ensino-aprendizagem não em que haja simplesmente conteúdos a serem transmitidos, mas antes que haja saberes a serem construídos com os alunos, a partir de suas dificuldades, facilidades, deficiências e características próprias.
Vemos então como a educação é um espelho da sociedade em que vivemos e como esta sociedade é também reflexo da educação que recebemos, oferecemos e construímos. Deste modo, o debate da Educação Inclusiva está também atrelado a questões como o acesso aos meios de transporte para portadores de deficiência física. Quantos ônibus ou estações de trem e metrô estão adaptados hoje? Por que continuamos a ver as leis sendo descumpridas e pouco ou nada fazemos para que sejam obedecidas? Pensar numa educação inclusiva é também pensar numa cidade inclusiva e numa sociedade mais justa. O empoderamento das pessoas com necessidades especiais é um dos maiores desafios neste sentido e já há toda uma movimentação em torno das políticas públicas que visam a inclusão de pessoas com deficiência. A Educação Inclusiva nos leva a pensar nas diferenças sócio-econômicas entre os indivíduos, pois estas também representam formas distintas de se ter acesso a educação, a mercado de trabalho, a bens culturais, etc. O desafio da Educação Inclusiva não fica apenas na questão do acesso, mas exige também um compromisso com a garantia de permanência das pessoas com necessidades especiais nas instituições de ensino, de modo que tenham assim um real e efetivo aproveitamento dos saberes que estão sendo construídos. Também já se percebeu que na Educação Inclusiva não há espaço para a Educação Bancária, tão criticada por Paulo Freire. Deve-se então pensar num processo de ensino-aprendizagem não em que haja simplesmente conteúdos a serem transmitidos, mas antes que haja saberes a serem construídos com os alunos, a partir de suas dificuldades, facilidades, deficiências e características próprias.
-
____________________
[1] Num artigo escrito coletivamente (Edicléa Mascarenhas Fernandes, Ana Cristina Freire da Silva, Helio Ferreira Orrico e Annie Gomes Redig) e intitulado A Disciplina Prática Pedagógica em Educação Inclusiva no currículo das licenciaturas da universidade do Estado do Rio de Janeiro: uma proposta de formação reflexiva, lemos que a Declaração de Salamanca de 1994 “representou um marco favorável à inclusão, por fortalecer a idéia de que as escolas regulares devem receber todas as crianças, independentemente das dificuldades e diferenças existentes, quer física, social ou lingüística, procurando respeitar os diferentes ritmos de aprendizagem e elaborando, portanto adaptações curriculares que permitam estratégias de ensino que assegurem uma educação de qualidade; onde a discriminação e o preconceito sejam ressignificados.”.
[1] Num artigo escrito coletivamente (Edicléa Mascarenhas Fernandes, Ana Cristina Freire da Silva, Helio Ferreira Orrico e Annie Gomes Redig) e intitulado A Disciplina Prática Pedagógica em Educação Inclusiva no currículo das licenciaturas da universidade do Estado do Rio de Janeiro: uma proposta de formação reflexiva, lemos que a Declaração de Salamanca de 1994 “representou um marco favorável à inclusão, por fortalecer a idéia de que as escolas regulares devem receber todas as crianças, independentemente das dificuldades e diferenças existentes, quer física, social ou lingüística, procurando respeitar os diferentes ritmos de aprendizagem e elaborando, portanto adaptações curriculares que permitam estratégias de ensino que assegurem uma educação de qualidade; onde a discriminação e o preconceito sejam ressignificados.”.
-
(Texto escrito por Pedro Grabois, como trabalho individual da disciplina Práticas Pedagógicas em Educação Inclusiva da licenciatura na UERJ)
